Eu não sei falar de amor
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13 de jul. de 2016

os sofrimentos do ego

"Às vezes eu me perco de mim e já nem sei onde eu tô, se era no início, no meio, ou se eu tava no fim. E logo que me perco, me procuro, não encontro, desespero e fico ali tentando lembrar quem eu sou, o que eu quero. Percebo que fiquei perdida por muito tempo e tantas coisas deixei pelo caminho, armadilhas do ego, quero de volta, eu tô sozinho. Me busco mais um tempo, logo, recordo: sou minha melhor companhia. E por mais que a gente queira muitas coisas, o amor por mim era mesmo tudo que eu queria. E aí me encontro. Me dou um abraço, me expando pelo espaço, sou dona do mundo e por mais que navegue às vezes pelo raso, eu sempre vou ser profundo."



4 de jun. de 2016

2 — O dia em que se (des)conheceram

Ele a esperava no carro em frente ao seu prédio conforme haviam combinado. Ao ficarem frente a frente, percebeu-se uma timidez de ambas as partes mas depois de algumas cervejas foram quebrando o gelo.  Surf, viagens, violão, natureza, espiritualidade... assuntos em comum que viraram longas conversas naquela noite. Saíram dali um pouco alcoolizados e ele a convidou para a "saideira" num quiosque que ficava na praia. Ao chegarem, ele sacou o violão que estava no banco traseiro do carro e começou a tocar um repertório que parecia ter sido escolhido a dedo pra ela. Ela ouvia cada nota, hipnotizada pela voz suave dele. "Ele deve fazer isso pra todas" — ela pensou.


13 de mai. de 2016

1 — Acaso na imensidão

Ela não se lembrava bem como havia parado ali, mas estava diante de seu notebook olhando fixamente para aquela foto. Era um registro feito a noite, em uma praia, com algumas pessoas sentadas ao redor de uma fogueira grande. Ao fundo podia ver o céu crivado de estrelas. Isso fez com que lembrasse da viagem que havia feito recentemente ao Litoral Norte de São Paulo e quando veio durante todo o percurso de Ubatuba para o Rio de Janeiro com o rosto voltado para fora da janela do carro pois não podia se concentrar em mais nada além daquele céu abarrotado de estrelas. Sentia-se grata por estar ali, a infinitude e beleza daquela cena a deixava emocionada. Mas a fotografia que agora observava não parecia ter um céu tão estrelado quanto o de Ubatuba. Ainda sim, a fogueira tinha as chamas amarelas que faziam um contraste lindo. "Lugar mágico" — pensou, e depois curtiu a foto como reverência. 
Ficou surpresa quando o dono da foto a enviou uma mensagem. Iniciaram uma conversa pelo bate papo a respeito dos acasos da vida e descobriram que tinham muito em comum além da paixão por fogueiras na praia em dias de céu estrelado. Falaram sobre a natureza, gostos musicais, fascínio por livros, filosofaram Osho e, finalmente, sobre o universo. "Esse assunto tem que ser discutido numa mesa de bar!" e marcaram um chopp.


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Maira Gall