Diário de transição
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16 de jun. de 2016

Diário de transição - No/Low Poo

Estar em transição capilar é aprender algo novo todos os dias... Como lavar o cabelo, como finalizar, como tratar, como manter a hidratação, entre muitas outras coisas para quem, até então, só achava que lavar, condicionar, pranchar e raramente hidratar eram os cuidados necessários.

Uma dessas novidades são os benefícios para os cabelos da prática de No/Low Poo, técnicas divulgadas pela cabeleireira Lorraine Massey, fundadora da marca Deva Curl. Segue um resumão para esclarecer sobre o que é, como funciona, substancias proibidas e como iniciar.


Conhecendo a técnica


Para a maioria das pessoas, assim como para mim, a limpeza dos fios só é completa com um shampoo que faça bastante espuma. No entanto, aquela espuma que sai dos fios leva com ela muito mais que a sujeira do dia a dia: elas removem lipídios naturais do cabelo e do couro cabeludo, responsáveis não só pela sedosidade, como também pela proteção capilar.


Em inglês, low pode ser traduzido como “pouco”, no é "não" e poo é “shampoo”. Traduzindo, a prática do Low Poo refere-se a diminuição do uso de shampoo comum, substituindo por shampoos sem Sulfatos. Isso porque os sulfatos são substâncias utilizadas para realizar uma limpeza profunda dos fios e podem causar ressecamento e perda da oleosidade natural. Eles são os responsáveis pela grande quantidade de espuma dos shampoos e provocam aquela sensação de "cabelos limpos" onde os fios ficam com aspecto duro e seco, fazendo um barulhinho ao serem manuseados.

A técnica também defende a utilização de produtos que não contenham em sua fórmula Petrolatos (parafina líquida, óleo mineral, vaselina). Esses componentes podem formar uma capa que envolve os fios que, com o tempo, vão acumulando e deixando o cabelo pesado e com dificuldade para absorver outras substâncias necessárias aos fios, como ceramidas, queratina, hidratantes, entre outros. É mais ou menos como usar uma chapinha em um cabelo ressecado: ele tá liso, aparentemente tem brilho e parece saudável, mas por dentro não está saudável. 

Já os Parabenos não são proibidos para low poo, mas muitas pessoas têm evitado ou reduzido o uso em função da preocupação com a saúde. Eles são componentes conservantes que são utilizados na indústria cosmética para evitar a proliferação de microorganismos e garantir vida longa os produtos. Existe uma enorme discussão a respeito dos riscos ligados ao uso de parabenos e o tema é bastante polêmico. O principal motivo disso é a discussão sobre tais compostos químicos serem ou não causadores de câncer. Autoridades responsáveis por esta fiscalização afirmam que não existem provas que possam relacionar os compostos químicos parabenos com o desenvolvimento de câncer mas estudos apontam que eles interferem no sistema endócrino e o consumo de produtos que possuem estas substâncias pode causar alergias e o envelhecimento precoce da pele (leia mais).

O Silicone é um componente que atua formando uma barreira que impede a entrada e saída da hidratação. Logo, se o seu cabelo estiver hidratado, ele vai impedir que ele a perca facilmente – porém, o silicone pode se acumular nos fios, entupindo as cutículas e impedindo a entrada de qualquer hidratação. Com o tempo, qualquer tratamento que você fizer não vai surtir efeito. Entende-se que os silicones não beneficiam o cabelo de forma alguma, são apenas uma maquiagem. Existem dois tipos de silicone: os solúveis em água e os insolúveis, e é aí que está a diferença entre o No Poo e o Low Poo. O Low Poo permite o uso de alguns silicones (apenas os solúveis em água), desde que você utilize agentes limpantes corretos, liberados para a técnica.

Se você escolher aderir ao No Poo, não usará shampoo puro na lavagem, nem silicones insolúveis em água. Como assim? Nunca mais lavar a cabeça? Calma, não é bem assim... apenas buscar a conservação da leveza dos fios sem usar silicones que impregnam no fio, só os que saem com água, evitando o acúmulo ou sujeira excessiva. Vou explicar: Cocoamidopropyl betaine (também pode ser encontrado como Cocobetaine, Cocamidopropyl Betaine, Cocabetaine, cocoamphopropionate) está presente em alguns shampoos e é um "Anfótero Betaínico". Essa substância é um dos principais agentes limpantes do método No Poo pois ele retira apenas os silicones, sem fazer mal ao cabelo, uma vez que não retira os óleos naturais. Então, ao invés de shampoo, nas lavagens se utiliza um condicionador de composição leve com uma pequena proporção de shampoo ou do anfótero, para limpar e fazer espuma. O nome desse processo é co-wash, do inglês conditioner washing ou "lavagem condicionante", que limpa e hidrata ao mesmo tempo.


Como garantir a limpeza dos fios?


Os shampoos sem sulfato geralmente criam menos espuma mas, como já deu pra perceber até agora, espuma não é necessariamente um sinal de que o produto é bom para o seu cabelo.

Pra começar, é preciso um pouco de paciência para ler os rótulos dos produtos e não utilizar essas substâncias. Saiba que é muito provável que seu cabelo tenha petrolatos nos fios, então é necessário lavar uma última vez com shampoo de sulfato agressivo, por ser o único capaz de limpar esse composto "grudento". No início, se o aspecto do seu cabelo piorar significa que essa é a real condição em que ele estava mas o silicone disfarçava com aquele brilho impermeável. Não desista, seguindo o cronograma capilar (vou explicar mais pra frente) você facilmente vai resolver isso!

Se você decidiu seguir o Low Poo, não use shampoos e condicionadores que possuam Sodium Lauryl Sulfate (Lauril sulfato de sódio), Ammonium Laureth Sulfate (Lauil éter sulfato de amônio) e Sodium Laureth Sulfate (Lauril éter sulfato de sódio) na composição. 

Já no No Poo a grande estrela é o Co-Wash. Alguns produtos foram desenvolvidos especificamente para co-wash e possuem Cocoamidopropyl betaine na fórmula. O Co-Wash não pode ser feito com condicionador comum pois estes não são capazes de remover silicones insolúveis dos fios. É necessário que o produto não tenha petrolatos nem silicones na composição. É preciso massagear bem o couro cabeludo (em movimentos lineares, e não circulares, assim você evita que o cabelo embarace). O ideal é que o condicionador escolhido não seja muito consistente e que não possua nenhum óleo, já que o intuito é retirar a oleosidade do couro cabeludo e dos fios. O co-wash pode ser usado por quem faz tanto Low quanto No Poo. 

OBS.: Tudo que é liberado pra No Poo é liberado pra Low Poo. Mas não o contrário!

Existem produtos como o famosinho Yamasterol amarelo que servem como co-wash, condicionador, creme de pentear, etc. Eles são considerados cremes de fórmulas simples, o que permite que eles possam ficar no cabelo sem "ensebar" os fios. 

  1. Antes de começar qualquer uma das técnicas é muito importante que você use shampoo com sulfato ou shampoo anti resíduos para remover todos os petrolatos já acumulados no seu cabelo. Após a lavagem com shampoo, pode começar a técnica normalmente, usando APENAS produtos liberados. Em caso de uso de produtos proibidos (seja por acidente ou em salões de beleza, por exemplo), você precisa repetir o procedimento de lavagem com shampoo com sulfato para reiniciar a técnica.
  2. Recomendo que utilize todos os produtos que você já possui em casa antes de começar a técnica, mesmo os com sulfato. Desperdício nunca é legal. ;)
  3. Enquanto isso, comece lendo a composição dos produtos que você já tem em casa. Isso te ajudará muito a se familiarizar com os nomes e não ficar na dúvida na hora de comprar novos produtos. Aproveite também para participar de grupos de discussão no Facebook.
  4. Imprima ou salve no celular a Tabela de produtos liberados/proibidos para não se perder na hora das compras e lembre-se que a maioria dos vendedores não conhece a técnica, ou seja, não adianta perguntar... vá preparada.
  5. É IMPORTANTE fazer a lavagem dos cabelos pelo menos 1 vez por semana para evitar o acúmulo de resíduos nos fios. Na hora de lavar você pode usar: opção 1) shampoo sem sulfato + condicionador; opção 2) shampoo sem sulfato + condicionador com função co-wash; opção 3) apenas condicionador co-wash; opção 4) condicionador co-wash + outro condicionador para low poo
Seguindo essas dicas você já pode iniciar nas técnicas. Lembrando que não é restrita apenas a cabelos cacheados, as lisas também podem aderir caso queiram tratar dos cabelos da melhor maneira. Para facilitar sua vida é só buscar por "LISTA DE PRODUTOS LIBERADOS PARA NO/LOW POO" no Google que você encontra várias opções disponíveis em qualquer mercado ou farmácia. Espero ter esclarecido essas dúvidas básicas mas qualquer dúvida é só deixar um comentário! ;) 


Fontes: x x x

9 de jun. de 2016

Nova tag: Diário de transição

Resolvi partilhar aqui no blog esse período tão delicado de transformação e mudanças. Espero, assim, conseguir passar "melhor" por essa fase, dividindo tudo o que aprendo diariamente e registrando todo esse processo de auto aceitação.


PATINHO FEIO


Voltando para a minha adolescência eu lembro que não achava nada legal ter cabelos cacheados. Primeiro de tudo: não achava bonito. Pra onde eu olhava via todas aquelas atrizes e modelos lindas, com seus cabelos brilhosos, esvoaçantes e... lisos! Segundo: eu me sentia excluída da galera por causa da aparência, isso incluía o cabelo. Parece bizarro mas eu cresci no condomínio vendo minhas amigas branquinhas com cabelo liso e achava aquilo o máximo. Eram bonitas, inteligentes, tinham vários meninos interessados... mas comigo não era bem assim. Ao me olhar no espelho eu não via aquela "beleza" e fazia vários questionamentos e julgamentos internos que me deixavam pra baixo, levando junto a minha auto estima. 

Já com meus 16/17 anos, com a chegada da escova progressiva "milagrosa", eu vi meus problemas com o cabelo acabarem. Imagina só poder ter aquele cabelo liso, com aspecto mais natural, a raiz bem baixinha, poder penteá-lo todos os dias sem ter que molhar, fazer uma franja... Naquele momento o cabelo alisado fez com que eu me sentisse mais bonita e, de fato, recebia vários elogios que eu nunca tinha recebido antes. Parece que finalmente eu tinha encontrado a minha verdadeira identidade ou beleza. 

Assim, foram 10 anos fazendo diversas escovas progressivas e alisamentos no meu cabelo e isso levou embora todos os cachos, fazendo com que meu cabelo ficasse completamente esticado. Fiquei escrava da chapinha durante todo esse tempo, mas nunca reclamei, me sentia muito mais bonita assim. Não me incomodava em ter que escová-lo e pranchá-lo sempre que eu lavasse meu cabelo porque eu pensava no resultado final e me sentia satisfeita. Claro, muitas e muitas vezes batia um cansaço, preguiça, dava trabalho (e muito) mas eu precisava daquilo. Meu cabelo natural já não era mais o mesmo e sair sem chapinha era garantia de um bad hair day daqueles, ou seja, novamente a auto estima lá no chão.

O INÍCIO


No ano de 2014 foi quando fiz minha primeira tentativa de iniciar a transição capilar. Incentivada por uma amiga muito querida que já havia passado pela transição, fiquei um período de 4 meses sem alisar o cabelo de maneira nenhuma (além da escova/chapinha), mas depois acabei desistindo. Hoje, depois de um corte químico causado por um produto para alisamento, eu completo novamente 4 meses em transição, mas dessa vez, mesmo com todas as dificuldades que tenho sentido, SEM CHANCES de desistir.

A verdade é que a transição capilar é um processo lento e pode ser doloroso para muitas pessoas, assim como foi e tem sido pra mim. Acontece que você vê sua imagem construída durante anos e anos de uma forma e acaba sendo muito difícil se sentir bonita de uma hora pra outra fazendo exatamente o contrário. 
É, eu fui parte dessa tal "ditadura do cabelo liso". Uns dizem que é mimimi, outros dizem que é modinha, mas não é só uma questão de estética, é identidade. Agora eu sinto que quando você assume seu cabelo natural está fazendo parte de uma revolução, mesmo que indiretamente. Você assume que você tem o seu cabelo, seu rosto, seu formato de corpo, sua cor da pele e é exatamente isso que te faz singular. Você deixa de lado também essa história (racista) de que cabelo bonito é cabelo liso. Eis aí uma parte do tal empoderamento que tanto temos ouvido falar ultimamente. 

Lendo em vários blogs, tenho percebido que durante a transição muitas mulheres se sentem feias e com a auto estima baixa (como eu me sinto agora) mas que, ao final desse processo, todas se lembram do quanto foi difícil chegar até onde chegaram e se sentem tão poderosas e felizes com sua aparência que nenhuma opinião contrária importa. Finalmente se sentem naturalmente belas como elas realmente são.

Bem, nota-se que o assunto rende pano pra manga então vou me despedindo por aqui. Nas próximas postagens eu continuo falando porquê eu resolvi recomeçar a transição e mostrando a minha evolução, além das técnicas que tenho aprendido e as minhas inspirações, meninas lindas e seus cabelos fantásticos que tem me dado forças pra continuar. :)

Imagens: Reprodução
© Trend S/A
Maira Gall