13 de mai de 2016

1 — Acaso na imensidão

Ela não se lembrava bem como havia parado ali, mas estava diante de seu notebook olhando fixamente para aquela foto. Era um registro feito a noite, em uma praia, com algumas pessoas sentadas ao redor de uma fogueira grande. Ao fundo podia ver o céu crivado de estrelas. Isso fez com que lembrasse da viagem que havia feito recentemente ao Litoral Norte de São Paulo e quando veio durante todo o percurso de Ubatuba para o Rio de Janeiro com o rosto voltado para fora da janela do carro pois não podia se concentrar em mais nada além daquele céu abarrotado de estrelas. Sentia-se grata por estar ali, a infinitude e beleza daquela cena a deixava emocionada. Mas a fotografia que agora observava não parecia ter um céu tão estrelado quanto o de Ubatuba. Ainda sim, a fogueira tinha as chamas amarelas que faziam um contraste lindo. "Lugar mágico" — pensou, e depois curtiu a foto como reverência. 
Ficou surpresa quando o dono da foto a enviou uma mensagem. Iniciaram uma conversa pelo bate papo a respeito dos acasos da vida e descobriram que tinham muito em comum além da paixão por fogueiras na praia em dias de céu estrelado. Falaram sobre a natureza, gostos musicais, fascínio por livros, filosofaram Osho e, finalmente, sobre o universo. "Esse assunto tem que ser discutido numa mesa de bar!" e marcaram um chopp.


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Maira Gall