18 de abr de 2016

O dia em que eu entrei pro Clube dos 27

Os 27 anos são, no mínimo, míticos dentro do universo musical. O Clube dos 27 é um grupo de músicos influentes que morreram aos 27 anos de idade. Entre os nomes de talento inquestionável, estão: Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse. Você deve estar se perguntando porque eu estou falando a respeito de "morte" no dia em que eu completo mais um ano de "vida". Apesar da ciência concordar com o que eu digo (leia essa matéria), a real é que nesses meus 27 anos, se tem uma coisa que eu aprendi foi que morremos a cada dia e nascemos a cada dia. Vida-morte é um processo incessante de transformação. Estar preparada pra morte é estar preparada para a vida. 

Hoje, eu, mesmo não sendo uma musicista influente, decreto-me inclusa no Clube dos 27. Morrerei às 8:45 a.m. para nascer de novo. Findo nesta data e horário um pedaço de mim, que se transforma, na esperança de um novo tempo, mais feliz, menos apegada, mais ávida pelo conhecimento, novamente disposta a fluir na dança da vida, no seu ritmo e no seu movimento. 


E, por fim, gostaria de compartilhar com vocês um texto do Osho que diz o seguinte:

"Em sua vida, você tem experimentado muitas coisas; tem lido, escutado, pensado. Agora, todas essas conclusões estão aí. Diante de determinadas situações, você pode funcionar de duas maneiras. Pode funcionar por meio de todo o passado acumulado, de acordo com ele — é o que eu chamo de funcionar através de um centro, de conclusões, da experiência banal, morta —, e, não importa o que você faça, sua resposta nunca será de fato uma resposta, e sim uma reação. Ser reacionário é ser imaturo. Ou, se você funcionar agora, neste momento, por meio de sua consciência, de sua percepção, deixando de lado tudo que sabe – o que eu chamo de funcionar através do não-conhecimento —, estará funcionando por meio da inocência. Isso é maturidade. (…) Sócrates disse em sua terceira idade, “Agora sei que nada sei”. Isso é maturidade. No seu final ele disse, “Não sei nada”. A vida é tão vasta. Como pode essa pequena mente saber? No máximo, alguns lampejos são suficientes. Mesmo eles são demais. A existência é tão tremendamente vasta e infinita, sem início, sem fim… como pode essa pequena gota de consciência sabê-la? É suficiente quando alguns lampejos vem, algumas portas se abrem, alguns momentos acontecem quando você entra em contato com a existência. Mas esses momentos não podem ser transformados em conhecimento. Sua mente tende a fazer isso – então ela se torna mais e mais imatura. Então a primeira coisa em que você deveria ser capaz de aprender e sua capacidade de aprendizado nunca deveria ser oprimida pela conhecimento, nunca coberta por pó. O espelho do aprendizado deverá permanecer limpo e novo para que possa continuar refletindo. A mente pode funcionar de duas maneiras. Pode funcionar como uma câmera: uma vez exposta, finalizada – o filme imediatamente se torna conhecido e perde sua capacidade de aprender. Exposto uma vez e já sabe – agora é inútil; agora não é capaz de aprender mais. E então há um outro tipo de aprendizado – aprender como um espelho. Exponha o espelho por mil e uma vezes, não faz diferença – você pode chegar na frente do espelho, você está refletido; se você sair, o reflexo sai. O espelho nunca acumula. O filme na câmera imediatamente acumula – grava, segura, mas o espelho simplesmente reflete: você chega na frente, você está nele; você sai, você se foi. Esse é o caminho para se manter maduro." — Osho, em “A Música Mais Antiga do Universo"


Um salve para a impermanência. E um feliz aniversário para mim. :)

Imagens: Reprodução
© Trend S/A
Maira Gall