12 de jun de 2016

Respira e não pira ⇢ o desafio de meditar por 10 dias seguidos

Uma das coisas que eu tenho hábito de fazer é "desafios mentais". Mesmo já tendo meditado por algum tempo, eu nunca separei um tempo para me dedicar à prática com regularidade, então, a coisa não seria tão simples. Quando resolvi iniciar o desafio, pensei "se Dalai Lama dedica quatro horas sagradas do seu dia para a meditação, porque eu não poderia dedicar apenas uma"? Mas a verdade é que é bem mais difícil do que parece: o dia a dia exige muito do nosso corpo e, principalmente, da nossa mente - trabalho, faculdade, trânsito, relacionamento – recebemos muita informação o tempo todo e é uma tarefa difícil desligar-se desse turbilhão de pensamentos.



Os efeitos da meditação sobre o corpo


Os benefícios da meditação já são conhecidos pelos orientais há milhares de anos. De um tempo para cá cientistas buscam comprovar se a meditação realmente traz benefícios ao ser humano (leia mais). Na prática, aumenta a atividade das áreas do cérebro ligadas à atenção e à concentração, coordenação motora e à memória. Também estimula a amígdala, que regula as emoções e, quando acionada, acelera o funcionamento do hipotálamo, responsável pela sensação de relaxamento. Hoje, os estudos sobre os benefícios da meditação estão concentrados em tratamentos para redução do stress, melhoria do sistema cardiovascular, insônia e distúrbios mentais, alívio da dor, reforço do sistema imunológico e melhoria na concentração.


“Durante a meditação, regiões do cérebro relacionadas à ansiedade e depressão são ativadas e, quanto mais forem estimuladas pela prática, mais baixos são os níveis dessas doenças”, explica o vídeo. Faz muito sentido, afinal, certas regiões do cérebro se tornam menos ativas durante o desempenho de tarefas e mais ativas quando as pessoas estão descansando. ;)

Mas, afinal, como é que se medita?


"Na sala vazia e silenciosa, dois monges zen, com seus mantos e cabeças raspadas, estão sentados no chão, lado a lado, pernas cruzadas. Depois de alguns instantes, o mais jovem lança um olhar surpreso e irônico para o mestre. Sereno, o velho monge comenta: “É só isso, mesmo. Não vai acontecer mais nada”. Não foi uma cena real, só uma charge publicada em uma revista americana famosa.

Quer dizer que meditar é só parar e não pensar em nada? É. Na meditação, a ideia é parar de pensar, por mais bizarro que isso pareça. Como dizem os especialistas, é um não-fazer. Parar de pensar significa ficar quase que exclusivamente no presente. Vou explicar: os pensamentos são criados basicamente das ideias e experiências que ouvimos, vivemos ou aprendemos no passado e os planos e apreensões que temos para o futuro. Portanto, meditar é se concentrar em cada vez menos coisas, se despindo dos sentidos e esvaziando a mente. Tudo isso sem perder o estado de alerta (sem dormir), ou seja, não é fácil, mas a receita exige basicamente concentração. Vale se concentrar em uma imagem (um ponto ou uma pedra energética, por exemplo), um som ou na repetição de uma palavra (um mantra) ou simplesmente na respiração. 


Meditação moderninha


Para esta tarefa, pedi uma ajudinha para a tecnologia e fui em busca de um aplicativo em português de meditação guiada. A maioria é em inglês mas depois de procurar bastante eu baixei o Zen (disponível para Android), que além da meditação guiada com a narração da Juliana Goes, o app oferece uma variedade de sons relaxar, reflexões diárias, calendário do seu humor e um cronograma de conquistas/medalhas a cada nova ação. A ideia é não usar a falta de tempo como uma desculpa e ver que é possível encontrar muitos intervalos de pelo dia.

Como saber se deu certo? 


A não ser que você medite plugado em um aparelho de eletroencefalograma para saber se suas ondas cerebrais se alteraram não tem nota ou avaliação. Sendo assim, a única e melhor medida para seu desempenho é você mesmo. No final do meu desafio de 10 dias eu volto para contar o resultado desta experiência.
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Maira Gall