25 de jun de 2014

O amor e aquilo que esperamos que ele seja

Li um texto muito bacana no blog Casal Sem Vergonha e gostaria de compartilhá-lo com vocês. Confesso que não sou nem um pouco adepta desses textinhos prontos que encontramos na internet, afinal, o que eles dizem além daquilo que todos nós já estamos cansados de saber? A verdade é que, como naquela famosa frase, "na prática, a teoria é outra" e não adianta nenhum texto de autoajuda pra fazer com que você aprenda o que ainda não viveu. Bem, apesar da minha opinião, achei esse texto lindo, onde explica exatamente o que eu penso a respeito do amor:

Porque amor de verdade vai muito além de declarações desesperadas nas redes sociais

Quando alguém diz que busca um amor para chamar de seu confesso que fico me perguntando o que ela espera realmente do amor. Em tempos em que existe certo ceticismo generalizado sobre tudo (religião, grandes corporações, governo, gerações antigas, imprensa) parece que estamos sem grandes referências nas quais apoiar nossas crenças e convicções. O amor parece estar se tornando esse lugar de epifanias emocionais.
No amor as pessoas parecem buscar certo sentido de vida, como se a pessoa amada fosse, num passe de mágica, trazer o consolo e o sentimento de proteção que nos impeça de apreciar o frio na barriga  de não saber o próximo passo. Elas se encolhem nos braços da pessoa amada para afugentar tudo o que parece ambíguo, caótico e temeroso no fato de existir.
O amor vira sua religião individual e a pessoa amada seu deus onipotente, onisciente e onipresente. Mas como no campo religioso o fanatismo romântico da atualidade se tornou algo perigoso. Basta ver a quantidade de pessoas que se atira cegamente em relacionamentos confusos, perturbadores, precários e colocam a pessoa amada num status que nenhum ser humano deveria estar. Enquanto espécie nós somos perecíveis, falíveis e em grande medida desencontrados. Como esperar perfeição de pessoas incompletas e que também tateiam no escuro?
O resultado é uma enxurrada de começos e rompimentos relâmpagos de casais totalmente despreparados para viver uma vida de qualidade entre quatro paredes. Pessoas que mal se suportam sozinhas querendo viver desesperadamente um amor de cinema acabam se precipitando em promessas de amor eterno que duram até o primeiro desencontro de gostos pessoais. O que se espera do amor é demasiado, ele não é uma fórmula pronta em que basta misturar duas pessoas bem intencionadas para dar certo.
O amor tem algo de experimental como uma massa de modelar sempre em aberto a ser construído sem garantia de resultado. Nesse laboratório inexplicável o sabor vai se transformando ao longo do tempo na medida que novos ingredientes surgem, sempre com o risco de desandar. O amor também é uma ação e não apenas um sentimento de bem querer, o que quer dizer que precisa de logística, mão na massa, empenho, desgaste e algum sacrifício na agenda, no bolso e do sono.
Poucas pessoas realmente estão dispostas a abrir mão do seu conforto mimado para empreender uma empresa sem retorno garantido, ou seja, querem fazer saques emocionais altíssimos, sem risco de dor e oferecendo muito pouco em troca.
Do amor se espera coisas sobre-humanas e do que é deliciosamente humano busca-se pouco: a ternura de momentos anônimos, os ajustes e complementos do cotidiano, aquele agrado em forma de palavra, beijo ou silêncio. A vivacidade serena do amor é preterida em favor de grandes emoções que surgem às custas de brigas, idas e vindas e declarações desesperadas nas redes sociais.
Se é esse tipo de amor que as pessoas esperam, inevitavelmente irá fracassar, mas se é de brilho nos olhos e vulnerabilidade humana que falamos, então existe muito amor precioso pela frente à espera dos verdadeiros corajosos.

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